ESCREVER É UM VÍCIO QUE NÃO QUERO CURAR NUNCA.

7 de setembro de 2010

Navalhadas.

Vestida da noite, rubro esplendor
espreitando as ruas escuras,
entre neblinas e uivos,
navalhei a carne nua
do profeta melancólico
na fusão de nosso sangue
em versos de carnificina
compus sua alma na minha
Vinguei a morte de Orfeu,
revivi a Ariadne em dor,
ninfa do amor...
Voltei a floresta vazia
da alma fria...
Guardei a navalha dos lábios,
me despi da noite o sangue quente
ainda pulsava na veia do meu ser...
As sirenes anunciavam o fim da madrugada,
o romance gótico terminava, ao fio da lamina
cortando os versos do poeta inacabado...

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